Show de lançamento do Selo Caroçu – 92 Graus + Entrevista com Otavio Madureira (Machete Bomb)

Fotos: Vincius Grosbelli

E na ultima sexta feira, aqui em Curitiba, mais especificamente no 92 Graus, rolou o lançamento do Selo Caroçu, com shows das bandas Hessex Alone, Monreal e Machete Bomb.

O selo foi idealizado pelos produtor musical Tom Saboia e o músico Xandão Menezes (O Rappa). E a escolha do local não poderia ser diferente. O 92 Graus é a grande casa da musica autoral em Curitiba, com mais de vinte anos de história.

Além da cobertura fotográfica, batemos um papo bacana com Otavio Madureira, o Madu, que é o idealizador da banda Machete Bomb. Confere aí como foi a entrevista. E logo depois, veja as fotos da noite.

[Tudo o que você (ou)vê] Conte um pouco sobre a história da banda, como tudo começou.

[Otavio Madureira] A idéia de distorcer o cavaquinho começou há muito tempo atrás… já havia existido uma “primeira fase” do Machete Bomb (que acabou em 2005), mas a banda tem apenas 2 anos. Foi muito por influencia de bandas brasileiras que eu ouvia e admiro, como Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. Som com uma identidade mais nacional, onde o peso vai além da distorção das guitarras, ele está também na percussão agressiva brasileira, que é puro rock n roll! Antes, eu estava muito ligado ao mundo do metal (ainda sou mais metaleiro do que qualquer outra coisa), mas ao ouvir o álbum Roots do Sepultura (um clássico que qualquer metaleiro TEM que ter em sua coleção), abri a cabeça pra música brasileira. Acabei resolvendo pegar um cavaquinho e plugar num amplificador Mesa Boogie pra ver o que daria pra fazer.

Essa sonoridade da MLSA, da Nação Zumbi, do Eddie, do Mombojó, do Cordel do Fogo Encantado, do Soulfly e do Sepultura, etc, você não encontra em bandas da Europa, ou dos Estados Unidos. É um som genuíno, é daqui, é exclusivamente brasileiro. Então, percebi que existia como fazer rock com uma identificação nacional, que não se chama rock nacional simplesmente porque toca rock americano com letra em português. Um rock que pode ter guitarras ou não, e que é agressivo justamente por soar brasileiro!

É nessa idéia que o Machete Bomb passeia. Eu, que na verdade sou guitarrista, toco cavaquinho. O Vitor Salmazo, que é vocalista, toca cavaquinho melhor que eu, é do samba, mas é justamente quem soma mais peso ainda com a sua voz. O Rafa Moraes, baterista, é super grooveiro de black music, mas passou anos em bandas de rock também. O Rodriguinho Spinardi se criou ouvindo Led Zeppelin, Alice in Chains e ao mesmo tempo, tocando percussão de samba. E o Rodrigo Suspiro é o cara mais enlouquecido por Ramones que eu conheço! Fora umas locuras como The Mist, Burzum, Malevolent Creation e outras bandas de death metal que eu acho que só ele conhece e gosta! (risos) É justamente isso que a gente tenta explorar pra criar nosso som.

Sabendo que Curitiba é uma cidade fria e, em geral, mais rockeira, mas que se localiza no país do samba, do carnaval, do swingue, a gente faz esse samba frio, duro, pesado, ruim do pé, com o cavaco distorcido fazendo scratch e 100% curitibano.

[Tudo o que você (ou)vê] Qual a importância de fazer parte do selo Caroçu?

[OM] Para nós é muito legal, pois tanto o Tom Sabóia (que hoje em dia mora em Joinville SC), quanto o Xandão, tem um carinho especial pela cidade e pela música de Curitiba. O Xandão é paraibano, mas se criou no Rio, e há tempos mora aqui em Curitiba. Ou seja, ele entende bem e acredita muito no que a gente busca na sonoridade da banda. Ele conhece o samba, conhece a cultura nordestina, vem de berços extremamente culturais e regionais do nosso país, mas gosta mesmo é de frio e de rock! (risos) Além disso, a própria banda dele (O Rappa) tem uma longa história com a cidade. Um dos primeiros shows no início da carreira deles foi aqui… se não me engano, segundo ele, foi pra dois garçons e um cachorro… que até hoje não entendi como que estava dentro do local do show deles! (risos)

Enfim, por eles dois terem todo esse lance de estar envolvido com a cidade, por gostarem tanto daqui e terem essa uma ligação especial com a cidade, fazer parte do selo que eles criaram justamente pra apoiar a cena local, é muito bom! Além do fato de serem dois profissionais super bem sucedidos em suas carreiras, com um conhecimento e uma experiência enorme na área musical. Saber que os dois apoiam e acreditam na nossa maneira “curitibana” de fazer musica autoral, nos incentiva ainda mais a criar e explorar o nosso “samba do sul”. Eles acreditam na capacidade de Curitiba se misturar com o resto do Brasil, de ser compreendida e curtida, com seu sotaque, com seu estilo e até mesmo com seu frio.

[Tudo o que você (ou)vê] E agora, quais os planos para a banda?

[OM]  A partir de agora é tocar bastante, fazer mais contatos e tentar levar a banda pra mais lugares. A aceitação está sendo muito boa e tem gente chamando a gente pra tocar em várias cidades! Estamos produzindo muita coisa nova também. E por mais “antigo” que seja o projeto do Machete, ele ainda é extremamente novo até pra nós. Faz só dois anos que lançamos os primeiros materiais, então ainda tem muita coisa nova que estamos testando e aprendendo musicalmente. Eu, particularmente, to explorando efeitos mais novos, tentando tirar sons ainda mais diferentes e “impossíveis” do cavaquinho. A banda ta se conhecendo melhor e syncando mais. E o plano maior é seguir a contra-idéia do que já diziam Fred 04 (fundador da banda Mundo Livre S/A) e Chico Science, “o que era velho no norte se torna novo no sul”. Agora é mostrar que: o velho rock que já era velho no sul, vai se tornar novo no norte.

Confira abaixo as fotos que o Blog Tudo o que você (ou)vê fez do lançamento do Selo Caroçu em Curitiba, no 92 Graus, com as bandas Hessex Alone, Monreal e Machete Bomb.

(Para ver a foto ampliada, basta clicar na imagem)

Fotos: Vincius Grosbelli

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