Pavilhão 9 lança novo disco “Antes Durante Depois”+ Entrevista Rhossi

Salve salve galera que acompanha o Blog Tudo o Que Você Vê, estamos aqui, para apresentar a mais recente entrevista exclusiva que fizemos. Desta vez, o convidado que nos honra com sua presença é Rhossi, vocalista de uma das maiores bandas dos anos 90 no Brasil.  E essa entrevista acontece por um grande motivo… Afinal, Pavilhão 9 está de volta!

Tão pesado como antes, contundente e contestador como sempre! Rhossi e Doze estão juntos novamente. Agora com a companhia de Leco Canali (Tolerância Zero) na bateria,  o baixista Heitor Gomes (que passou pelo Charlie Brown Jr.) e o guitarrista Rafael Bombeck (que acompanhou Rhossi em sua carreira solo).

E nesta volta a banda paulista chegou com os dois pés no peito, como de costume. Ao lançar “Antes Durante e Depois” (que você ouve no player no fim desta entrevista), o Pavilhão 9 recupera seu lugar no cenário nacional , com suas críticas sociais,  e mesmo com 25 anos de estrada consegue se estabelecer com um discurso tão atual. O primeiro single do disco é “Tudo por Dinheiro”.

Agora, se liga no papo que rolou com o Rhossi, para o Blog Tudo o Que Você Vê.

 

Foto: Roberto Salgado

Foto: Roberto Salgado

[Tudo o que você (ou)vê]  A banda foi uma das precursoras da mistura de rap e rock no brasil, quais foram as dificuldades que a banda enfrentou?

[Rhossi] Na época, quando lançamos o álbum “Cadeia Nacional” (1997), fazendo a fusão do rap com o rock, os mais puristas não entenderam a proposta. Porém, o disco foi um estouro, o público curtiu muito.

[Tudo o que você (ou)vê] Foram praticamente 11 anos longe dos palcos (2012 rolou um show no Lollapalooza), o que levou a esse tempo todo longe do público?

[Rhossi]  Em 2012, nos reunimos exclusivamente para fazer o show do Lollapalooza. Não tínhamos planos para a volta da banda, cada um dos integrantes estava com a cabeça em outros projetos. Até prometemos de lançar um single e o público ficou aguardando, mas os integrantes anteriores não estavam mais a fim de continuar. O Doze e eu tínhamos a missão de continuar e, só em 2015, resolvemos nos organizar para voltar com a banda.

[Tudo o que você (ou)vê] E como foi a ideia de voltar com a banda depois de tanto tempo, com um disco de inéditas?

[Rhossi]   O Doze e eu somos vizinhos do bairro e sempre conversávamos sobre a possibilidade de voltar com o Pavilhão. Sabíamos que seria um desafio e queríamos principalmente conversar com a nova geração. Foram 3 anos de trabalhos, pensando nesse novo mercado (streaming/youtube), temas de letras, capa do disco, profissionais e principalmente na nova formação, que quero destacar que chegou com muito som e atitude para somar.

[Tudo o que você (ou)vê] A banda está com nova formação, como foi esse processo de renovação dos integrantes?

[Rhossi]   Leco Canali (bateria), Rafel Bombeck (Guitarra), Heitor Gomes (baixo) e DJ MF nos toca-discos. Trabalhamos juntos por 1 ano para a conclusão do álbum. Foi muito bom ter criado esse novo disco com eles. Chegaram com uma nova energia, algo que estávamos precisando. O Heitor Gomes, em 2012, já havia ensaiado com a banda para o Lollapalooza, já conhece a história da banda e chegou forte com as bases das músicas “Tudo por Dinheiro”, “Antes Durante Depois”, “Boca Fechada”, entre outras. Ele foi determinante para a conclusão do álbum. O Leco, eu já conhecia do Tolerância Zero, somos parceiros de música. O Rafael já havia tocado comigo no meu trabalho solo. Todos estavam muito próximos até que eu fiz o convite. A reunião de todos foi um processo natural.

[Tudo o que você (ou)vê] Como está a repercussão do novo trabalho?

[Rhossi]  O retorno está sendo positivo, tanto para o público que já conhecia a banda, como também para o público mais jovem que ainda não conhecia a banda.

[Tudo o que você (ou)vê] Quais foram as principais influências musicais deste novo trabalho?

[Rhossi]  Trocamos muitas referências. Quando pedi para o Nave produzir o beat de “Pesadelo Gangsta”, por exemplo, foram algumas trocas de e-mails com as referências de Drake, YG, Asap Rocky. Já na música “Na Malandragem”, escutamos bastante Miles Davis, Guru Jazz Matazz, Rage Against the Machine, Prophets of Rage, Cypress Hill e muitas referências do rock e do hardcore que o Heitor, Leco e Rafael trouxeram.

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[Tudo o que você (ou)vê] A banda soa renovada, mesmo mantendo as maiores características da sua sonoridade, essa é a maior marca registrada do som do Pavilhão 9?

[Rhossi]  Tivemos todo cuidado e atenção para manter a essência, qualidade e identidade da banda.

[Tudo o que você (ou)vê] Uma das maiores características dos trabalhos do Pavilhão é a crítica social, e neste novo trabalho ela também está presente. E 11 anos depois o país ainda é fonte abundante de letras com esse teor. Como a banda vê a atual situação política brasileira?

[Rhossi]  A atual situação do Brasil claramente não vai bem. Nessa década foi uma total esbanjamento do dinheiro, muita corrupção e a educação ficou de lado, para variar. Hoje estamos vivendo o reflexo de toda essa gozolândia que foi implantada no Brasil. Os temas do Pavilhão 9 relatam o que está obvio diante de nossos olhos e muita gente finge não ver. De forma positiva, alertamos para esses assuntos que acredito que sejam importantes ser abordados, não podemos viver no mundo do faz de conta.

[Tudo o que você (ou)vê] Quando a banda estava no auge, o rock era um ritmo mais presente, e o rap mais “underground” e hoje me parece que essa relação se inverteu, e a banda consegue fluir entre esses dois ritmos de uma maneira muito peculiar, qual o segredo?

Arte: Leandro Dexter

Arte: Leandro Dexter

[Rhossi]   O público estava sentindo falta desse tipo de música. O rap hoje no mundo, merecidamente, assumiu os primeiros lugares, mas o rock precisa se renovar, as bandas precisam voltar a fazer um som. Nessa falta é que o Pavilhão 9 chegou e encontrou seu espaço, principalmente fazendo um contraponto e trazendo uma reflexão.

[Tudo o que você (ou)vê] Qual a importância dos primeiros anos de Pavilhão 9, dos discos de ouro, dos prêmios na MTV, para que a cena do Rap pudesse chegar neste patamar que temos hoje, com nomes que se destacam, como Criolo, Emicida, Karol Conka, entre tantos outros que estão surgindo atualmente…

[Rhossi]  Tudo que fizemos foi importante, erramos e acertamos. Tínhamos que passar por esse processo e descobrimos muita coisa. Sabíamos que, no futuro, o rap iria ter mais visibilidade, como está acontecendo agora. Posso dizer, com toda a humildade, que contribuímos fazendo a nossa parte. Todos estão fazendo a sua parte de alguma forma.

[Tudo o que você (ou)vê] O que a banda tem ouvido ultimamente?

[Rhossi]  São gostos variados desde rock, rap. Eu, particularmente, escuto de tudo um pouco, desde funk 70, os clássicos do rap dos anos 90 e principalmente as atualidades.

[Tudo o que você (ou)vê] Quais os planos para o futuro da banda? Essa volta é para ficar?

[Rhossi]  O Foco agora é a “Tour Antes Durante Depois”, que pretende correr pelo Brasil, levando essa mensagem de paz, informação e atitude no som. Em breve iremos lançar três episódios do making-of das gravações do álbum no nosso canal no YouTube, Pavilhão 9 TV.

 

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