Papo de Sexta com Deborah Koliski Vons

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Deborah Koliski Vons, fotógrafa expõem no Hacienca Café. Abertura dia 05 de fevereiro .

 Na próxima terça-feira, dia 5 de fevereiro, tem inicio a exposição da fotógrafa Deborah Koliski Vons. A mostra é intitulada: Ilha do Mel: andanças, ritmos e encontros. Confira o bate-papo que tivemos com a fotógrafa esta semana por e-mail.

Deborah Koliski Vons é formada em direito, mas sempre cultivou seu interesse por diversas áreas como a arte, a literatura,  a música, a gastronomia, a escrita, o movimento, a dança, a história, a geografia, a antropologia, a psicologia e a espiritualidade. E de certa forma todas estas áreas sempre fizeram com que Deborah andasse muito próxima da fotografia. De acordo com ela “Uma grande mudança de vida permitiu que eu mergulhasse mais fundo no mundo imagético.  Aqui estou.  A fotografia também se tornou um instrumento de autoconhecimento, que me faz perceber o mundo à minha volta, com seus valores e dualidades,  e como eu me relaciono com ele”.

[Tudo o que você (ou)vê] Esta é sua primeira exposição, como surgiu o projeto “Ilha do Mel: Andanças, Ritmos e Encontros”, como se deu o processo criativo do mesmo?

[Deborah Vons] Comecei a fotografar a Ilha do Mel sob a ótica documental para  um trabalho de conclusão do curso de fotografia.  A ideia inicial era produzir imagens que registrassem a ilha como um todo, bem como o modus vivendi dos seus moradores. Entretanto, já nas primeiras imagens que eu produzi, percebi que imprimia um sentimento, uma certa poética. Ia atrás da luz, do homem que caminhava solitário pela praia, da vastidão, da energia que pulsa na terra. Fotografar dessa forma me trouxe um enorme prazer. Mudei o caminho. Dei vazão à essa emoção e o projeto “Ilha do Mel: Andanças, Ritmos e Encontros” aconteceu.

[Tudo o que você (ou)vê] Como aconteceu o amadurecimento do projeto, que culminou na exposição?

[DV] Venho fotografando a Ilha do Mel há mais de um ano. Essa habitualidade permitiu que eu ampliasse a minha percepção sobre o local e os seus moradores. O “movimento” é  o que me estimula a fotografar. Quando estou na ilha, coloco a mochila nas costas e simplesmente saio para caminhar…e fotografar. Observar onde está a melhor luz na alvorada e no por-do-sol, o ritmo das marés que revelam texturas da areia ou encontrar pessoas e ficar “jogando conversa fora”, são coisas que me encantam.  Foi a partir dessas premissas que o projeto tomou forma. As “andanças” se refletem nas fotografias de paisagem, os “ritmos” no vai-e-vem do mar e os “encontros” nas imagem obtidas através do  contato com  seres humanos, em momentos que eu considero muito especiais. A mostra contempla uma trajetória de luz. Nas oito imagens que compõe a exposição, a luz solar está presente em variadas horas do dia. Acredito que essa é a linguagem fotográfica desse trabalho.

[Tudo o que você (ou)vê] Vejo em suas imagens um tom reflexivo e intimista, para você, qual a mensagem que esta coletânea de imagens traz?

[DV] Acredito que a Humanidade está despertando para uma consciência ecológica e planetária.  Gosto muito da fala de  Leonardo Boff, que no livro Saber Cuidar – Ética do humano – compaixão pela terra, assim diz: “Enfrentamos uma crise civilizacional generalizada. Precisamos de um novo paradigma de convivência que funde uma relação mais benfazeja para com a Terra e inaugure um novo pacto social entre os  povos no sentido de respeito e de preservação de tudo o que existe e vive.” A dimensão do Universo está dentro do Homem, numa relação de coexistência.  Ele não está acima, mas completamente inserido na Natureza (ou assim deveria estar). Esse é o meu grito,  esse é o meu apelo.

[Tudo o que você (ou)vê] Pretende ainda continuar com este projeto? Ou já existem novos projetos encaminhados?

[DV] Sinto que o trabalho documental relacionado à Ilha do Mel ainda não terminou, até porque ele caminha paralelamente ao meu aprendizado e amadurecimento como fotógrafa. Entretanto, novas oportunidades e parcerias estão surgindo para eu iniciar um trabalho documental em outras ilhas do litoral paranaense.

CONVITE

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